Quinta-feira, 22 Fevereiro 2024

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Direitos e Deveres. Do 25 de abril de 1974 ao 25 de abril de 2023

É essencial que os partidos, as pessoas, os movimentos, as associações assumam as suas responsabilidades e ponham de parte o clima de ataques demagógicos e irresponsáveis, bem como os clamores de sociabilização imediata, que têm vindo a intensificar-se desde o 25 de Abril. Francisco Sá Carneiro (Imprensa 1974)

O 25 de abril de 1974 é uma data marcante para os portugueses, pelo menos para os jovens da minha geração e sobretudo para os nossos pais.

Portugal era um país pobre, onde imperava a censura, a repressão e se desenrolava uma guerra inglória que arruinou uma geração. Sendo filha de um militar (furriel na Guiné) dessa guerra, e ao ouvir os relatos das suas aventuras, ou melhor desventuras, vividas no cenário de combate entre tiros com os guerrilheiros, a fome e sede que teve, as técnicas que utilizou para sobreviver, ao ver aquela lágrima que teima em não cair quando relembra os colegas que tombaram em combate, só posso concluir que Portugal arruinou toda uma geração por pura teimosia de um homem que não queria ver o que se passava no resto do mundo!

Abril… Abril, acabou definitivamente com este ato atroz e mesmo que não de uma só vez trouxe a liberdade de expressão, liberdade de reunião, liberdade de manifestação, liberdade sindical, direito à saúde, direito à educação, direito à cultura, direito ao trabalho, direito à greve, direito à habitação, direito à reforma, direito à justiça, igualdade de direitos.

Abril, permitiu que em 1975 a minha mãe votasse pela primeira vez, permitiu que professoras e enfermeiras se casassem sem ter que pedir autorização ao estado. Foi por esta altura que proliferou o slogan “Homens e Mulheres, os mesmos direitos, os mesmos deveres”.

Conquistados muitos direitos, os deveres são muito esquecidos e por isso vivemos numa sociedade muito virada para si própria e pouco preocupada com os outros. Poucos reconhecem que o Estado somos todos nós, logo todos nós temos deveres. O dever do respeito, da solidariedade, da declaração de rendimentos efetivos, da tolerância, etc, etc…

Atualmente, da guerra física de 1974 passamos para uma guerra imaterial em 2023. O que pensar dos direitos conquistados, esquecidos os deveres, que conduziram à corrupção que assistimos no panorama político atual (TAP, BES …)? O que pensar da igualdade de direitos fictícia entre homens e mulheres, apesar das mulheres possuírem mais habilitações literárias? O que pensar do momento menos bom que as forças militares portuguesas estão a passar? Será que a maioria absoluta de um governo, pode fazer esquecer os deveres para com o povo que o elegeu? Será que lhe dá o direito de dizer e desdizer?

Há uns anos atrás António Oliveira de Salazar, foi eleito a personalidade portuguesa mais importante. Penso ter sido um ato de saudosismo de alguns portugueses que anseiam por um pouco de organização neste país que está um caos, mesmo que organizado. É verdade que o cidadão comum, trabalhador, cumpridor, ao ter conhecimento da impunidade daqueles que a todo o custo “burlam” o estado, fogem aos seus deveres sem qualquer tipo de escrúpulo e ainda se vangloriam na mesa do café, sentem vontade de ver organização neste país de tão brandos costumes!

Abril deu-nos instrumentos para combater as desigualdades, garantir uma perceção de segurança a todos e não permitir que os maus exemplos sejam vistos como um todo. A História conta-nos que as ditaduras são os regimes mais corruptos, visto não existir liberdade de comunicação e independência da justiça. Então a democracia tem de dar o exemplo e ser intransigente na deontologia do serviço público, contra qualquer tipo de comportamento em que este não seja prioritário.

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