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Morte de sacristão em poço gera revolta na população de Belinho e Mar

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(Notícia publicada na Edição impressa N.º 30 de 13 de agosto de 2021)

No passado dia 30 de julho, um homem de 69 anos, sacristão da Paróquia, foi encontrado morto num poço a céu aberto em Belinho, terreno do qual era proprietário.

Os populares estranharam a ausência do sacristão na missa e acabaram por o encontrar caído dentro do poço, tendo alertado as autoridades pelas 20:57 desse dia.

De acordo com Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Braga, são ainda desconhecidas as causas da ocorrência, sabendo-se apenas que estaria a cobrir sobrantes com um plástico.

Esta situação de poços a céu aberto já tinha sido reportada por este Semanário em março deste ano e com diversos alertas da Associação Cidadãos de Esposende, sem que tivesse até hoje êxito. Na altura, Carla Guimarães, tinha perdido a sua cadela durante um passeio, tendo a encontrado dias mais tarde morta num dos poços a céu aberto.

Ao todo são 432 poços contabilizados só na União de Freguesias de Belinho e Mar, a maioria dos quais sem qualquer tipo de sinalização, proteção, rede ou murado de altura mínima exigido por lei. Alguns tornam-se até mesmo invisíveis com a quantidade de vegetação existente em torno do poço.

Aquando deste caso da morte da cadela, a 07 de março, este Semanário contactou o Presidente da Junta da União de Freguesias de Belinho e Mar, Manuel de Abreu, tendo o mesmo referido que apenas podia informar que o “município de Esposende fez um trabalho de identificação dos mesmos no ano de 2016 onde foram contabilizados e fotografados 432 poços com deficiente proteção”.

“Posteriormente, o município através da proteção civil, fez uma sessão de esclarecimento em Belinho para sensibilizar os proprietários para os perigos, sugerindo formas de proteger e resguardar as áreas em questão, motivo esse que fez com que algumas medidas fossem tomadas por parte de alguns proprietários, o que não aconteceu com todos, daí haver ainda algumas situações de negligência por parte de alguns proprietários”, explicava em março Manuel Abreu.

Já sobre os planos de identificação de proprietários em incumprimento, referiu que era “um problema algo complexo dado o elevado número assim como a duvidosa informação de propriedade pelo que terá que ter uma aprofundada intervenção do município”.

Questionado esta semana sobre que medidas e/ou ações que foram tomadas por parte da Junta de Freguesia de março até aos dias de hoje, Manuel de Abreu optou pelo silêncio, não respondendo ao nosso pedido de esclarecimento.

Já Alexandra Roeger, Vice-presidente da Câmara Municipal de Esposende, também ela contatada por este semanário, começou por lamentar “muito as ocorrências que resultaram na morte de animais e, naturalmente, e sobretudo, no que diz respeito à perda da vida humana”.

“Confirmamos que as diligências se mantêm em curso, designadamente por via de uma estreita parceria e colaboração com a GNR”.

Também a GNR, através do Sepna – Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente, não respondeu às nossas questões sobre em que ponto se encontra a identificação dos proprietários para a regularização dos poços a céu aberto e também sobre quantas notificações/autos foram levantados até à data de hoje. Segundo apuramos com alguns locais, sabe-se que, pelos menos, oito autos já foram levantados entre março e abril.

No último domingo, este semanário acompanhou alguns populares das freguesias e membros da Associação Cidadãos de Esposende, numa visita às duas freguesias, com os populares a denunciarem dezenas de poços que não estão contabilizados nos 432 poços da lista do município.

Em 2016, aquando do levantamento da contagem e identificação dos poços nas duas freguesias pelo município, “por duas estagiárias que andaram aí de fita, mas que só mediam os poços que estavam a céu aberto” de fácil acesso, refere um popular que preferiu o anonimato por temer represálias. “Os poços que estavam cobertos com silvas e ramos, era impossível as moças irem lá dentro”, não tendo esses sidos contabilizados que “à vontade, nas duas freguesias, serão mais 80 a 100 poços”, refere o popular.

Questionado sobre se notou alguma alteração de março até hoje, altura em que este tema veio novamente ao de cima com a morte da cadela, sendo motivo de várias reportagens na comunicação social nacional, o popular disse que “não se nota nada, nenhuma alteração. Nem Câmara, nem junta, nem GNR. Nada”.

“Na freguesia toda a gente critica que é um perigo para tudo, que tem de ser fechados”. No entanto, como foi possível comprovar no local, tudo se encontra na mesma, apenas com uma ou outra exceção de proprietários que fizeram um murado à volta do poço. Na visita realizada, foi possível verificar dezenas de poços sem as mínimas condições de segurança, bem como de alguns animais mortos no interior. Alguns dos poços são de acesso fácil, junto a caminhos usados para passeios a pé ou bicicleta, e até mesmo para acesso à praia.

Os proprietários, referem por sua vez, que o custo para a legalização dos poços tem um valor demasiado alto e que não tem dinheiro para efetuar as obras necessárias.

A população espera que as autoridades pressionem os proprietários dos poços para que se resolva este problema de vez.

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