Sábado, 18 Maio 2024

#informaçãoSEMfiltro!

UM DOM SEBASTIÃO NEGRO E HAVAIANO

Gil Nunes – Jornalista

Donald Trump é uma espécie de adepto do F.C.Porto e do Benfica ao mesmo tempo. Por decisões que parecem antagónicas, antes de mais. Mas também pelo solavanco das suas diretrizes, pelos avanços e recuos mas, sobretudo, pela falta de coesão que tal comportamento provoca. Os Estados Unidos da América são, de momento, uma nação dividida, desunida, governada por um presidente alvo de crítica permanente. Quem beneficia com isso? A China que, mesmo sendo uma ditadura (à esquerda ou à direita as ditaduras nunca são de fiar) e não uma democracia, avança decidida em bloco. A China é só uma. Não treme. Ponto.

Mas qual o filme de Donald Trump? Díficil de definir. Em primeiro lugar menospreza o efeito do dito “vírus chinês”. Depois dá-lhe uma dose de algum critério muito embora tudo se vá dissipar durante o mês de abril aquando da chegada do calor da primavera (ou do “General Verano” como dizem os americanos). No meio de tudo isto, Donald Trump lembra-se do período pré-eleitoral e acusa os adversários democratas de populismo em relação ao vírus. Depois é o vírus que é mesmo chinês mas, logo de seguida, “uma very nice conversation” com Xi Jinping e um elogio pela forma como os chineses estão a lidar com a epidemia que, na altura, ameaçava tomar grandes proporções. Depois fecha o país e ordena o confinamneto. Depois quer abrir o país porque tem autoridade absoluta para o fazer. Para logo de seguida não ter autoridade nenhuma e delegar nos governadores a respetiva abertura dos serviços e da economia, muito embora incite, por debaixo da mesa, manifestações da população em relação a governadores que afinem mais pelo confinamento. No entretanto, suspende as contribuições à Organização Mundial de Saúde por incompetência desta, antes de investigar e acusar a China acerca da origem do vírus e da propagação do mesmo. Isto poucos dias após a “very nice conversation” com Xi Jinping. Em que a China foi elogiada pela forma como estava a lidar com a epidemia. Com o cachecol dos dragões e das águias ao pescoço.

Assim não dá. É tudo e o seu contrário. Política externa é feita com pinças. É certo que a passividade e o “laissez faire” são contrárias àquilo que se pretende de um país líder, mas a confusão dá muito prejuízo. A confusão é destrutiva. Sobretudo se tomarmos em linha de conta de que a China é a segunda potência mundial e que registou um crescimento brutal nos últimos vinte anos.  O sonho de Deng Xiaoping. Autor da célebre frase “não importa se o gato é preto ou branco desde que cace ratos”. Hoje em dia, de facto, a China caça ratos de qualquer maneira. A China já não quer vender saca-rolhas nem pilhas. A China quer vender tecnologia de ponta e ser o salvador e o inovador do mundo. E, logicamente, quando o adversário não sabe como jogar, qualquer bloco coeso ganha vantagem. Mesmo com o crescimento económico e a potenciação do emprego registadas nos Estados Unidos antes da crise pandémica, a coesão da China vale mais pontos. Em termos de economia mundial, a China é para levar a sério. Não é só a Rússia, é a China. Principalmente a China. A questão é que até Jair Bolsonaro, no auge do seu radicalismo, consegue ter um discurso mais coerente. Coerente no absurdo, é certo mas com uma linha condutora que estabelece um padrão. Mais vale um padrão louco do que a loucura do vai e não vai.

Enquanto não vem a dita vacina. Ou talvez não. Na minha opinião, criar-se a ideia de que a vacina vem resolver todos os problemas é uma espécie de fomento invisível do bioterrorismo. Porque se virmos a vacina como solução total, então estamos a criar uma atmosfera incentivadora de que um novo vírus, disseminado no dia seguinte à vacina, seria catalisador de nova pandemia e respetivas consequências. Por aí não. Entendo que o caminho mais sensato é o da adaptação ao meio, moldando a realidade de uma forma mais sustentável. Por esse prisma, há setores mais vulneráveis do que outros. Nesta altura é tempo de prognóstico e o mesmo tem de ser feito com a ressalva de que se trata, sempre, de um salto no desconhecido.

No turismo, por exemplo. Na minha opinião, o incremento do teletrabalho terá repercussões na própria marcação de férias, sendo que férias naturalmente influenciam o turismo. Trabalhando à distância, a possível criação de um regime de semi-trabalho (trabalhar à distância apenas durante um período do dia) poderá ressuscitar o setor do turismo, que será sempre determinante num país como Portugal. Cenário diferente para os eventos de massa (festivais de verão, por exemplo). O contexto poderá ser de disseminação por diferentes espaços o que, por conseguinte, poderá servir de motor ao setor da restauração, mais adaptado a uma lógica itinerante e pensado em face das novas necessidades de evento. Se o teletrabalho cresce, também a necessidade social aumenta, pelo que a primeira comparação entre teletrabalho e isolamento se dissipa. Felizmente. Porque acredito que tempos muito melhores virão.

Seja como for, a restauração sofre durante este período. Sofre muito. É difícil, no imediato, distinguir-se o funcionamento pensado em termos do espaço do funcionamento executado em regime de take-away. Muito complicado. Por isso, lanço o meu apelo: ajude a restauração. Se fazia uma refeição fora de portas, durante este período faça duas. Ou três. Diga aos seus amigos para encomendarem refeições. Porque quando tudo isto passar, precisamos de uma restauração forte para sustentar todos os outros serviços.  O turismo, os serviços, os cidadãos comuns. Se a restauração ficar débil, a sociedade ressentir-se-ia e será mais complicado reconstruirmos. Sem reservas, apoie a restauração. Um esforço de todos e por todos. Não hesite: seguimos em frente. Vamos ficar todos…muito melhor!

outras notícias

GD Apúlia campeão da 1ª Divisão de iniciados da AFBraga

O Grupo Desportivo de Apúlia sagrou-se campeão distrital da 1ª Divisão de iniciados, após vencer este domingo, no Campo dos Sargaceiros, o Merelinense FC...

Seguros dos Bombeiros Voluntários suportados pelo Município até 2026

Foi aprovado esta manhã em reunião de câmara, a proposta de financiamento de todos os encargos financeiros relativos aos seguros de acidentes de trabalho,...

Desfile de Carnaval infantil adiado para 16 de fevereiro

O Município de Esposende anunciou hoje o adiamento do Desfile de Carnaval “Fantasia Ambiente 2024”, para a próxima sexta-feira, dia 16, pelas 10 horas,...

SIPE Barcelos/Esposende organiza amanhã Seminário “Municipalização e/tem Futuro!?”

O Sindicato Independente de Professores e Educadores (SIPE) vai organizar amanhã, sábado, 27 de janeiro, das 14h às 18h, um Seminário de curta duração...