Opinião Rui Agonia Pereira “DEUS invisível criou o mundo visível”

“DEUS invisível criou o mundo visível”

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Rui Agonia Pereira

Nota. Não é a frase, título, tão utilizada desde os lógicos de Port Royal (1660) até Chomsky (1965), que nos interessa com o propósito que sobretudo a esses autores disse respeito: compreender o significado da frase; para Chomsky tratava-se da estrutura profunda da frase, aí o seu significado; para os gramáticos/ lógicos de Port Royal já o significado da frase não resultava dessa estrutura. A gramática de Port Royal ou a lógica de Port Royal – a arte de falar- não é o nosso caso de interesse no presente artigo de opinião. Também não estamos interessados em discutir aqui a linguagem e o pensamento ou reciprocamente, que desde sempre – muito antes de Cristo, já com Platão e Aristóteles, ocupou homens célebres da filosofia, sem esquecer Descartes (sec. XVII).

Antes nos interessamos aqui por trazer à colação o mundo visível que Deus invisível criou e que tão maltratado tem sido, vítima de agressividade, de maus-tratos sobretudo por atos, embora não faltem os cânones da boa observância nas coisas que Deus criou.

Sobretudo nos espantamos como em certas religiões onde os devotos pouco olham para o que Deus invisível criou tão visível ao homem.

Também não está em apreço aqui observarmos o mundo invisível nem tão pouco agora nos interessa considerar que no mundo invisível a desigualdade só se baseava no moral.

Mas já nos importa que no mundo visível as desigualdades, justas ou não para certas religiões, são tidas por nós como injustas e a sociedade obrigatoriamente as não dever nem poder deixar subsistir e até as ver prevalecer contra a justiça.

A criação de imperfeições por um Deus perfeito impregnadas da não arbitrariedade há muito que no debate de ideias atormentam a sociedade.

Naturalmente, nos lembramos que Herodes era rei e Jesus carpinteiro.

Tamanha injustiça só a prática a observava porque em teoria nada o impedia.

Sabe-se que a cidadania de Margareth Sommers (2008) recuperada da noção de Hannah Arendt se definia como o direito a ter direitos. Esse direito tem vindo a ser pautado com underlying de sociedade democrática pela maioria dos países.

Somos razoáveis ao ponto de aceitar que a construção de um mundo humano envolve sempre alguma violência cometida contra a natureza.

Sabemos que o processo educativo ainda não encontrou uma fórmula fácil que leve os homens e as mulheres a motivarem-se para as coisas que lhes dizem respeito. Porque o que é de todos por todos deve ser discutido e não se admite que haja quem fuja às suas elementares responsabilidades. (Os próprios partidos políticos que clamam pela justiça nos seus estatutos assobiam para o lado diante as piores patifarias que os seus confrades realizam, porque são membros da mesma irmandade(?)).

Sabemos que pelo conhecimento aduzimos do verdadeiro tratamento a ter para com a natureza. 

Indagamos quase sempre sobre a melhor opção. Como a saber e porquê?

Para Descartes, o conhecimento da realidade só poderia dar-se na medida em que o entendimento da realidade exigia que cada parte que compõe o todo fosse entendida corretamente e o raciocínio deveria dar-se necessariamente fora de um corpo sujeito a erros e falhas.

Promover a igualdade e a cidadania seria o verdadeiro projeto que em particular um concelho, um município, devia empenhar-se ao invés de construir projetos contra a cidadania.

Trabalhar em prol do interesse público edificando a seriedade na igualdade de oportunidades e respeito coletivo. O povo merece, mesmo que o desconheça ou seja impedido de lamentar-se.

Quiçá reunir as instituições concelhias procurando remédio para a solução de tantos males que transversalmente grassam pela área adentro, argumentar pela reflexão serena e firme, democraticamente plausível com a comunidade como um todo indivisível; debater os muitos temas que consubstanciam a cidadania, sempre no respeito pela experiência de alguns e o empenho cívico de outros na liberdade de pensamento e ação detendo-se na atenção e tempo a que as pessoas têm jus.

As pessoas não podem nem tão pouco devem ser escorraçadas do poder local. Antes e acima de tudo serem chamadas a intervir no debate das ideias.

As pessoas que assumem responsabilidades no âmbito do poder democrático que as conferiu não podem obstaculizar o caminho que a natureza conferiu e definiu como melhor opção; devem ser escrupulosas no cumprimento das funções que lhes foram confiadas, quiçá democraticamente.

O autarca tem mais deveres que responsabilidades, mais obrigações que deveres.

Todos sabemos que se há uma regra deve ser dada para a mesma uma explicação plausível da sua aplicação. Se assim não for feito incorre-se na arbitrariedade – o pior que há no meio autárquico e no poder que deixa de ser legitimamente obedecido.

Na lógica de Port Royal, dos gramáticos que ensinavam a falar, havia, e ainda hoje há, três tipos de operações, a saber,

Conceber, formar um conceito;

Julgar, afirmar coisas a respeito do conceito; e

Raciocinar, fazer um julgamento a partir de julgamentos já estabelecidos.

E sabe-se que estas três operações são universais. Se não forem cumpridas incorre-se no desvio. Se não justificado cai-se na arbitrariedade – o pior que há; e o povo acaba por se desconcertar, irritar-se e finalmente compreende que não pode dar o voto, não só a quem se  esconde e encolhe, mas a quem não serve porque não cumpre com os mais elementares deveres que a pragmática da cidadania obriga e exige.

É eminentemente obrigatório pensar-se sobre as tarefas e as coisas que são e como o são.

Alcançar-se assim a liberdade de se ser real e verdadeiro, próprio de um gestor que se preze e de ser mentor por exemplar da sociedade que lhe confiou o seu voto.

O responsável de uma sociedade, pequena ou grande, rural ou urbana, deve por de parte o mito, que é a palavra, o dito; mas devemos decifrar o mito que é o relato de uma história verdadeira ocorrida há muito tempo e com a intervenção ou interferência de seres sobrenaturais que leva a que uma realidade passasse a existir.

Por último diria que é no debate das ideias que se filtra o interesse do povo. Negar essa prova é negar o próprio povo – pobre ou rico, ilustrado ou não, sabedor e conhecedor ou pronto a conhecer e a aprender sobre o que lhe diz respeito.

À laia de epílogo, de desfecho sobre o tema da cidadania que procurei tratar na parte que aos mais vistos diz respeito, muitos outros, quiçá em redor desse monstro que é a cidadania, poderia trazer à colação: temas que muito me aprazaria esclarecer dando conta do convite honroso do Diretor do Jornal N. Semanário para colaborar com artigos de opinião – o que não podia recusar pela grandeza do N. Semanário e a  sua vocação de independência.

Porém são todos os temas em redor dos concelhos de Barcelos e Esposende que o Jornal sobremaneira alude que fico penhorado a mim mesmo quando me ocorre que a ambos pertenço.

Ao de Barcelos porque minha Madrinha era de lá e dela me lembro muito até porque uma sua Neta jurista se ma lembra por ter os seus olhos, muito bonitos.

Ao concelho de Esposende porque sou de lá, nasci em Fão, sou fangueiro/ fãozense, E TENHO GOSTO EM LUTAR PELA IGUALDADE QUE NO CONCELHO DEVE PREVALECER COMO DOM IMINENTEMENTE SOCIAL QUE O POVO NÃO PODE DESVANECER.

Entre os temas que me vieram à memória estava o tão necessário nos dias de hoje, LARES do concelho e dos concelhos do país sem deixar de ter uma palavra elogiosa para o ex-Provedor do Hospital Asilo da Santa Casa da Misericórdia de Fão que ao longo de várias décadas soube zelar intransigentemente pela união do lar à saúde do concelho , do distrito chegando a auferir do mérito de bem servir ultrapassando justamente as fronteiras em que se insere.

Que a nova Provedora tenha a marca de zelo do seu antecessor imediato são os votos que lhe desejo até por estar certo de que recai sobre ela o contributo enorme que o Provedor deu. Só tem respostas quem faz perguntas e nós estamos sempre a questionar.

Sobre os lares fica a pergunta, se o povo os não deve de imediato discutir transversalmente não por serem muitos e em condições a rever, mas sobretudo por serem coisa que a todos nos diz respeito e assim deverem ser discutidos também por todos nós.

Há posicionamentos e afinidades que estão para além da lógica formal (de Port Royal) e para os quais as palavras por muitas e boas são sempre poucas.

Mais lares, menos lares, mas sobretudo lares com dignidade- talvez menos e melhores, mais bem servidos. Mais dignos.

Pensado em siN Noticias
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