As escolas, como é do conhecimento geral, encontram-se encerradas para a prática letiva presencial, ou seja com professores e alunos a interagirem em sala de aula, como seria de esperar num ano letivo normal.

Neste momento, mais de um milhão de alunos encontram-se em casa e já experienciaram duas semanas de aulas à distância. Aquilo que inicialmente parecia ser um cenário de isolamento social de algumas semanas está a transformar-se em meses e sem qualquer previsão de terminar.

O estado de emergência nacional e a mitigação do coronavírus está a por em causa a conclusão do ano letivo tal como o conhecemos. Neste último mês, novos desafios foram colocados à escola e às famílias, sobretudo no que se refere ao tão já falado Ensino à Distância.

Os agrupamentos de escolas e as suas direções têm encetado esforços para aferir a realidade da população discente no que se refere ao acesso às tecnologias e internet, de forma a poder fazer chegar o ensino à distância a todos. Os professores têm feito verdadeiros exercícios de imaginação e improvisação para responder com êxito a este novo cenário social e educativo.

As famílias tiveram também de se adaptar e muito, à realidade do ensino à distância, desde a partilha dos equipamentos pelos filhos, bem como para o uso dos pais que estão em teletrabalho. Por outro lado, tiveram de assumir um papel de mediador na realização das tarefas propostas. Os próprios professores, enquanto pais foram confrontados com a gestão do tempo familiar e o profissional, muito difícil de agilizar.

Neste momento há que aferir duas situações no que se refere aos anos que correspondem à escolaridade obrigatória, o ensino básico – até ao 9º ano e o ensino secundário – do 10º ano ao 12º ano.

No que concerne ao ensino básico, a solução afigura-se mais fácil e menos prejudicial aos alunos. Mesmo que não se retomem as aulas há sempre a possibilidade de recuperar o “tempo perdido” no próximo ano letivo, basta haver vontade tanto da escola como dos alunos e famílias. No entanto, há que resolver a questão dos exames do 9º ano, considerando que à partida as provas de aferição do 2º, 5º e 8ºanos já não se realizarão. Parece-me que também não constituirá qualquer problema se não forem realizados uma vez que, sendo o 12º ano, o término da escolaridade obrigatória, estes podem constituir motivo de retenção para alunos que ao abrigo do Decreto-Lei n.º54 – Educação Inclusiva e do Decreto-Lei n.º 55 – Flexibilidade Curricular, viram ser-lhes aplicados métodos de ensino e aprendizagem personalizados. Talvez, seja chegada a hora de rever e simplificar os currículos do ensino básico e a aplicabilidade dos exames do 9º ano.

O cenário para o ensino secundário já não é tão pacífico, sobretudo para o 11º e 12º anos, que estão sujeitos a exames nacionais para concluírem o seu percurso escolar e simultaneamente para o acesso ao ensino superior.

Fala-se em retomar as aulas em maio para o ensino secundário, em adiamento de exames e datas de candidatura/acesso ao ensino superior… Seja qual for a solução encontrada para solucionar estes problemas, nunca este ano letivo será igual aos anteriores. Aliás, daqui para a frente nada será igual na educação! Todos sabemos a importância dos exames para os alunos e famílias, no entanto há que refletir se serão prioritários atendendo às consequências que poderão ter no estado da saúde pública atual e na resposta que o Serviço Nacional de Saúde.

No panorama concelhio, penso que as escolas responderam atempadamente aos desafios que lhes foram colocados. Tiveram de elaborar um plano de contingência num curto período de tempo e dar formação ao pessoal docente e não docente, não esquecendo de transmitir orientações aos alunos e famílias. Neste momento estão a elaborar um plano de ensino à distância que não se afigura nada fácil. A utilização de meios tecnológicos e internet poderá não chegar a todos os alunos, não esquecendo que a idade dos alunos do básico exige um acompanhamento parental, conhecedor da utilização das tecnologias. Logo, é necessário chegar a estes alunos, que por estas e outras razões de cariz social não podem ser deixados para trás.

No sentido de colmatar estas dificuldades, os organismos concelhios – Escolas, Autarquia, IPSS, Proteção Civil, Loja Social, Escola Segura, Comissão de Proteção de Menores – têm unido esforços dentro das suas competências. Só estando no terreno diariamente é que nos apercebemos da coragem e energia que as pessoas e instituições do nosso concelho, encetam para proporcionar o bem-estar e saúde, sobretudo daqueles que neste momento se veem confrontados com dificuldades atípicas. Não é necessário apregoar diariamente o que está feito, é sim necessário que se faça e previna.

Este é um momento, em que facilmente caímos na tentação de criticar as medidas adotadas pelo Governo, bem como compará-las com as de outros países, mas se refletirmos chegamos à conclusão que não há soluções pré-elaboradas e não será fácil para ninguém tomar decisões. Este sim é um momento em que nos precisamos de unir e dentro do que nos é solicitado ajudar, mesmo que seja apenas ficar em casa!

Já se percebeu que este vai ser ano diferente para todos, sem exceção, a retoma das atividades económicas vai ser um desafio que afetará todos os sectores da sociedade e as escolas têm estar preparadas para o que as espera.

 Grande parte das pessoas ainda estão a pensar como é que se desenrolará o terceiro período, mas as escolas já começam a antecipar os cenários que vão encontrar no próximo ano letivo. Anteveem-se tempos de grande reflexão e trabalho para corresponder ao exigido.

Independentemente da forma de como a sociedade vai agir e comportar-se nestes tempos de COVID 19, creio que todos nós preferimos estar cá para contar a história…

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